Sábado, 27 de Setembro de 2025
Não vou começar com saudações. Só queria registrar como me senti viajando para São Paulo e para o Rio de Janeiro, mesmo estando cansada.
Saí de Uberlândia no dia 22/09/2025, um pouco mais tarde do que esperava. Cheguei cedo ao aeroporto, por volta das 11h, para um voo marcado às 12h15. A decolagem atrasou, e o clima já estava cinzento, com ventania que espalhava folhas pelas ruas e levantava ciscos nos olhos. Ainda assim, no embarque, muitas pessoas pareciam alheias ao que acontecia ao redor. Uma figura destoava: um rapaz com sua cerveja antes do almoço, que entrou no banheiro e depois desapareceu de vista.
Entrei no avião acreditando que chegaria a tempo do almoço, por volta das 14h. No entanto, ao sobrevoarmos São Paulo, atravessamos uma nuvem carregada de chuva e turbulência. O avião balançava, e a cada sacudida a aflição das pessoas aumentava, com medo de algo pior acontecer. Mas nada ocorreu. Pousamos no Galeão pouco depois.
O problema foi o depois. Ficamos horas em pé, com um atendimento ineficiente e poucas informações. Andávamos de um lado para o outro até que, perto das 20h, finalmente nos deram algum direcionamento. Comemos no único restaurante disponível na área externa.
A caminho do hotel, passamos por alguns pontos turísticos do Rio, mas, de noite e sob chuva, só conseguimos ver borrões. Já no hotel, buscamos nossa segunda refeição do dia — uma “segunda janta” improvisada, já que não tínhamos almoçado, apenas beliscado petiscos e barrinhas de cereal. Cada uma pediu algo diferente, mas o cansaço era tanto que não conseguimos terminar os pratos. Depois, subimos para os quartos e descansamos.
Na manhã seguinte, o cenário não era muito diferente: céu cinzento e chuva. Algumas horas depois, já em São Paulo, encontramos frio e um vento fresco, não tão cortante, mas que exigia algumas camadas de roupa. A cidade tinha o movimento típico de uma metrópole, com muitos carros, mas, diferente de Brasília, era possível andar a pé, o que a tornava mais amigável. O ritmo das pessoas lembrava o de Uberlândia: todos com um relógio interno acelerado para dar conta do tempo capitalista. Em contraste, o Rio parecia mais lento, quase preguiçoso.
Quando minhas obrigações terminaram, percebi o quanto ansiava por voltar a Uberlândia. Apesar dos pesares, é reconfortante ter uma cidade íntima, conhecida, cheia de memórias — tão mais tranquila e acolhedora. Analiticamente, Uberlândia tem uma qualidade de vida muito superior quando comparada a esses grandes monstros de concreto que chamamos de capitais. Ainda que guardem suas poesias, não passam de lugares estressantes e erroneamente abarrotados.
Por isso, quando vi do alto o brilho de Uberlândia, me lembrei da conversa com o professor da UFRJ, a quem disse que morava no interior. Naquele instante, quis voltar atrás. Chamei de interior porque a conheço como a palma da minha mão, porque nela não há tanta estranheza. O desconhecido em Uberlândia é pequeno, limitado, e foi nesse sentido que usei a palavra, sem qualquer intenção pejorativa. Mas cada um interpreta à sua maneira, e talvez, de forma não-tão-tradicional, acabei utilizando um termo que não representava de fato a minha verdade.
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